O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano. A decisão, tomada por unanimidade nesta quarta-feira (16), representa o quinto corte consecutivo na taxa. Com a redução de 0,25 ponto percentual, o colegiado atua em um cenário nacional marcado pela moderação gradual da atividade econômica e pelo mercado de trabalho aquecido.
A definição dos juros ocorre sob o regime de metas. Desde o início de 2025, o sistema de meta contínua prevê um objetivo de 3% para a inflação, considerado cumprido se o indicador oscilar entre 1,5% e 4,5%. Atualmente, as estimativas de inflação do mercado financeiro para 2026, 2027 e 2028 estão em 4,9%, 4,3% e 3,80%, respectivamente, todas acima da meta central. No Boletim Focus divulgado na segunda-feira (14), com base em pesquisa realizada na semana anterior com mais de 100 instituições financeiras, a estimativa para a inflação de 2026 recuou de 5% para 4,9%.
Como as mudanças na taxa de juros demoram de seis a 18 meses para surtir efeito na economia, o Banco Central já mira na meta considerando o primeiro trimestre de 2028. Em comunicado, o colegiado afirmou que monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos, pois isso contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação. O grupo também informou que continua analisando a situação fiscal do país. A próxima reunião do comitê será realizada depois do segundo turno das eleições.
Apesar do corte recente, o Brasil permanece com o maior juro real do mundo, apresentando uma taxa de 8,45%, de acordo com dados compilados pela MoneYou. O juro real é formado pela taxa nominal de juros subtraída da inflação prevista para os próximos 12 meses. A Rússia ocupa o segundo lugar global, apresentando juros reais de 6,79%. No levantamento anterior, a distância para o Brasil era de 0,21 ponto percentual, quando a Rússia registrava 9,30% contra os 9,09% do Brasil. A Colômbia aparece na terceira posição mundial, com taxa real de 6,33%.
No ambiente externo, o cenário permanece incerto devido a conflitos armados no Oriente Médio e às dúvidas sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Também nesta quarta-feira (16), o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, elevou a taxa de juros local em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Trata-se da primeira alta promovida pelo Fed desde julho de 2023, após cinco reuniões consecutivas com juros inalterados. A decisão, tomada de forma unânime pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), foi influenciada pela disparada do preço do petróleo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. Além disso, novas projeções indicam que a maioria dos integrantes do Fed projeta ao menos mais uma elevação de 0,25 ponto em 2026. Esse movimento gera reflexos no Brasil, pois juros altos nos Estados Unidos aumentam a pressão para que a Selic permaneça elevada por mais tempo e geram efeitos sobre o câmbio.
A taxa Selic funciona como a ferramenta primordial do Banco Central para regular o custo do crédito e combater a inflação, cujo impacto atinge principalmente a população mais pobre. Quando a taxa cai, o crédito fica mais barato, o que estimula novos negócios, contratações e os gastos das pessoas. Caso os juros subam, o crédito encarece, o que reduz empréstimos, investimentos, consumo e ajuda a conter os preços. Em junho, após a inflação registrar seis meses seguidos acima da meta, a autoridade monetária precisou publicar uma carta pública explicando os motivos da situação.
