O Grupo Casas Bahia formalizou, no último domingo (16 de agosto de 2026), um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. A medida foi anunciada pela empresa varejista com o objetivo de reestruturar suas finanças, renegociar uma dívida total calculada em R$ 17,3 bilhões e assegurar que as atividades comerciais continuem em funcionamento. A atual situação da companhia decorre de pressões macroeconômicas e do enfraquecimento do consumo interno.
De acordo com a administração do grupo, o pedido de recuperação judicial tornou-se inevitável por causa da deterioração financeira recente da marca. Esse quadro foi ampliado pelas taxas de juros elevadas vigentes no Brasil, que encareceram as linhas de crédito disponíveis e inflaram as despesas financeiras gerais. Em paralelo, a retração do consumo diminuiu a capacidade da empresa de gerar fluxo de caixa constante. Os primeiros reflexos negativos desse cenário surgiram ainda no terceiro trimestre de 2022, momento em que a organização registrou o primeiro de uma sequência de prejuízos trimestrais.

Antes de recorrer ao processo judicial, a empresa buscou outras alternativas de reestruturação. No ano de 2023, a varejista elaborou o chamado Plano de Transformação, focado em obter rentabilidade e expansão sustentável, com projeções de retomada do crescimento a partir de 2025. Naquele período, o presidente da Via, controladora das marcas Casas Bahia e Ponto, Renato Horta Franflin, explicou que a direção priorizaria o comércio eletrônico, a abertura de novos pontos digitais, a expansão física e parcerias com fintechs. Apesar do fechamento de lojas e postos de trabalho ao longo de 2023, as pressões de juros e endividamento das famílias persistiram, levando a varejista a solicitar uma recuperação extrajudicial de R$ 4,1 bilhões, homologada pela Justiça em abril de 2024 para suspender as cobranças de credores por 180 dias.
Embora o grupo tenha reduzido sua alavancagem financeira e abatido 75% da sua dívida líquida em 2025, o início de 2026 trouxe novos desafios de liquidez. Mesmo com um recuo de R$ 2,7 bilhões no endividamento líquido durante o primeiro trimestre deste ano, a empresa não suportou a pressão subsequente. No segundo trimestre de 2026, o grupo reportou um prejuízo líquido substancial de R$ 10,1 bilhões. Para tentar equilibrar a operação nacional e estancar as perdas financeiras, a Casas Bahia realizou o fechamento de mais de 200 lojas, além de buscar alternativas de captação de recursos adicionais.
A direção da varejista tentou captar recursos financeiros tanto no mercado nacional quanto no exterior para fortalecer o caixa. No entanto, as rodadas de negociação fracassaram devido à desistência de um investidor específico e à relutância do mercado em conceder novos financiamentos sob condições de juros altos e crédito restrito. Diante dessas dificuldades, que culminaram no pedido judicial nesta segunda-feira (17), a Casas Bahia planeja avançar em uma nova etapa de cortes de despesas. O planejamento prevê a diminuição do estoque de mercadorias, redução do capital necessário para a manutenção das operações cotidianas e ajustes profundos nos canais de vendas digitais.
O Grupo Casas Bahia se posiciona como uma das maiores referências do setor varejista do Brasil. A holding administra marcas conhecidas, como as bandeiras Casas Bahia e Ponto, o portal de comércio eletrônico Extra.com.br, a fábrica de móveis Bartira, além de operações na área de logística e serviços financeiros digitais, como o Casas Bahia Pay. A formatação atual do grupo consolidou-se em 2009, com a fusão da rede original à Globex, então dona do Pontofrio. A denominação institucional da corporação passou por alterações ao longo dos anos, chamando-se Via Varejo a partir de 2010, mudando para Via em 2021 e, finalmente, adotando o nome corporativo de Grupo Casas Bahia em 2023.